Como os bioestimuladores de colágeno promovem firmeza e elasticidade na pele?

No texto anterior falamos sobre o que são e a importância de fazermos os bioestimuladores de colágeno para a manutenção da firmeza e elasticidade da nossa pele ao longo do envelhecimento – caso você não tenha lido é só clicar aqui https://www.juliaschuch.com.br/blog/bioestimulador-de-colageno-pele-firmeza-rejuvenescimento/, e é inegável o tanto que eles atuam nisso. 

Mas, eu adoro entender como os materiais interagem com o nosso corpo. Saber por que e qual molécula é mais efetiva, então gosto de estudar os detalhes dos processos fisiológicos (processos de funcionamento normal do organismo) frente aos biomateriais, para poder atuar com segurança e respeitando o corpo dos meus pacientes.

Então, a seguir, compartilhei uma explicação mais técnica sobre como funciona a resposta ao bioestimulador, para quem gosta de saber das coisas, como eu!

Os bioestimuladores são moléculas inseridas em um líquido, que, após ser introduzido na base da pele, se deposita no tecido e gera reações, visto que o corpo entende que é algo diferente, que não foi ele que produziu aquilo, precisando eliminar aquele corpo estranho. Neste processo é que ganhamos colágeno! Veja como:

Ao inserir o bioestimulador, o corpo reage a esse corpo estranho, que é encapsulado e gera uma atração de células para responder a ele. O biomaterial atrai anticorpos igG, fragmentos celulares, fibrinogênio, fibronectina, que atraem células de defesa, os macrófagos e neutrófilos. Outras células, os mastócitos, liberam histamina, que faz os vasos sanguíneos dilatarem e trazem mais células inflamatórias até o local, sendo que a extensão da reação varia de acordo com a superfície do bioestimulador utilizado.

Algumas substâncias como fibrinogênio são reconhecidas pelos receptores de células de defesa, o que faz com que mastócitos liberem histamina, o que leva a maior passagem de sangue com mais células de defesa no local, como monócitos e células TH2 helper. Os monócitos se transformam em macrófagos (células que visam englobar e “quebrar” coisas estranhas ao nosso corpo, produzem mediadores inflamatórios, removem células mortas ou danificadas, mantendo o organismo em equilíbrio) e atraem mais dessas células para a região. 

Plaquetas e macrófagos liberam dois fatores importantes: o fator de crescimento transformador beta (TGFβ), que estimula e regula o crescimento celular; e o fator de crescimento derivado de plaquetas (PDGF), proteína que regula a regeneração celular, a proliferação de células e a síntese de matriz extracelular. Ambos promovem a migração de fibroblastos, células que produzem colágeno, e o TGFβ parece mediar a síntese de colágeno e a diferenciação dos fibroblastos a miofibroblastos, a forma contrátil dos mesmos, enquanto o PDGF estimula a proliferação destes miofibroblastos.

A dificuldade do bioestimulador em ser fagocitado (“quebrado” para posteriormente ser eliminado), faz com que os macrófagos se fundam sob ação de interleucinas 4 e 13, formando células gigantes de corpo estranho. Também, os macrófagos produzem fatores pró fibróticos, como  TGFβ1 e PDGF, estimulam os fibroblastos a produzir mais proteínas, o que leva à formação de uma cápsula que envolve o material.

Inicialmente ocorre deposição de fibras de colágeno tipo III (mais presente em cicatrizes) em torno das microesferas de bioestimulador, e colágeno tipo I (o colágeno que buscamos) na periferia. Ao longo dos meses, ocorre a fase de remodelação do colágeno tipo III vai passar por uma remodelação, resultando no predomínio de colágeno tipo I no novo tecido. Após, na fase de maturação ocorre a reticulação do colágeno, o que levará à sua contração e ajustamento da rede, devolvendo a força tensora ao tecido.

A reação de corpos estranhos gerados pela dificuldade em eliminar o bioestimulador é esperada e fisiológica, faz com que o corpo reconheça o biomaterial e ative monócitos (células de defesa) ao redor. Esta ativação faz com que eles se aloquem firmemente no material, liberando proteínas que iniciam reconhecimento específico nos receptores da superfície celular, determinando a resposta inflamatória, que é o que buscamos.

Esta resposta varia, podendo se tornar não fisiológica ao atrair células de Langerhans e linfócitos, sendo influenciada pela composição química, tamanho, volume, área de contato, carga elétrica, local de aplicação e o formato das partículas (partículas com formato irregular ativam mais prostaglandinas E2 (que atua em diversos processos biológicos) e fator de necrose tumoral (proteína que o sistema imune produz para regular as respostas e a indução da morte celular programada nas inflamações e infecções) além, é claro, da resposta individual do hospedeiro.

Por este motivo que variamos a indicação de bioestimulador para cada pessoa e suas necessidades: não é o mesmo para todo mundo! E também, sabendo-se que a resposta aos bioestimuladores depende muito do sistema imunológico, observamos o quanto a resposta individual pode variar, de acordo com sexo, idade, idade fisiológica da pele, situação de saúde e demais doenças do indivíduo, o que determinará a quantidade e qualidade do colágeno produzido.

Júlia Schuch

Biomédica Esteta – CRBM-5: 5339
Publicado dia 09/12/2024
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