PMMA – o que é, como age no organismo e por que pode dar problemas?

Estamos acompanhando o caso de uma influenciadora que perdeu os lábios e parte do mento (queixo) após complicações com o uso de PMMA, mas, o que é esse produto? É proibido? Por que alguns profissionais aplicam esse material? Por que não podemos fazer outros procedimentos onde há PMMA? Resolvi escrever esse texto para tirar essas e outras dúvidas.

 

Primeiro de tudo: o uso não é proibido! O PMMA é regulado e tem seu uso autorizado pela ANVISA desde 2007. Eu mesma recebo ofertas para comprar esse produto seguidamente (e o seu custo é ridiculamente barato) e obviamente não o faço, pois, como eu sempre digo: eu faço e uso nos pacientes o que usaria em mim, e eu não me sentiria nada bem usando PMMA.

 

Mas Ju, por que não usar?

 

O PMMA, polimetilmetacrilato, é um componente plástico com vários tipos de aplicações na saúde e indústria, como para fazer lentes de contato, implantes esofágicos, em procedimentos com marca passo, em próteses dentárias, como cimento ortopédico, entre outras aplicações. Seu uso não vem de hoje: o primeiro relato de uso em cirurgia ortopédica foi em 1983, tendo, em 1995, a publicação dos primeiros estudos confirmando a sua viabilidade.

 

A questão preocupante é quando o produto é usado para preenchimento cutâneo, como um cimento com coloração acinzentada com microesferas de PMMA, com necessidade de registro do produto na ANVISA e aplicado por profissionais habilitados. Segundo a ANVISA, o produto pode ser utilizado para correção de lipodistrofia – alteração de volumes de gordura característica do uso de antirretrovirais em pacientes com HIV -, e para correção volumétrica de face e corpo, tendo esse procedimento o nome de bioplastia.

 

ENTÃO, se pode, por quê não é tão interessante o seu uso?

 

O PMMA é uma substância que não é biocompatível e não é bioidêntica, ou seja, o corpo não reconhece como seu componente natural ou próximo a isso, afinal… é um plástico, né?! Além disso, o produto é permanente, e tudo que é permanente pode, um dia, dar problema, e não temos um antídoto para ele: não existe uma enzima ou algo que o degrade, então, se der problema, a resolução é cirúrgica, complexa e trabalhosa.

 

Mas por que pode vir a dar problemas? As microesferas de PMMA são dispersas em um gel à base de colágeno bovino. Ao ser injetado no corpo humano, o corpo reconhece esse polímero sintético como um corpo estranho e busca se proteger, para isso, o organismo cria uma “capa” de colágeno e fibras de proteína (fibrose). Ao ser colocado, o volume de material fica ideal para o problema a se solucionar, porém, com a produção de fibrose ao redor do PMMA, a longo prazo, o volume do local tende a aumentar e pesar, podendo tornar-se inestético e migrar de local.

 

Além disso, para que os organismos aceite melhor o PMMA, o produto é feito de modo a se integrar aos tecidos que irão envolver as partículas, sendo encapsulado pelo tecido humano. Isso é uma forma que o organismo encontrou para evitar que o PMMA – essa partícula estranha para o nosso corpo, fique em contato com os agentes do nosso sistema imunológico, buscando evitar que o material cause problemas. É como se o organismo percebesse que não é uma molécula natural nossa, e quisesse nos proteger do contato com ela.

 

Ainda, com o tempo, a movimentação dos tecidos (nas expressões por exemplo), a pressão sob o local (quando aplicado nos glúteos, lábios, etc.), o PMMA pode vir a se quebrar em pedaços menores, deslocando-se pelo tecido, causando alterações inestéticas, ainda mais fibroses, perigos de atingir estruturas como nervos e artérias, além de dificultar caso precise ser removido. Neste caso, a remoção é complexa, precisa ser feita por profissional especializado, com uso de ultrassom para ir guiando onde há produto e precisa ser feita a incisão para remover, gerando deformidades e cicatrizes ao fim do processo, como vimos no caso em alta na mídia.

 

Ju, mas é certo que vai dar problemas? Não! Há casos de sucesso com o uso do PMMA, mas a questão é: eu não usaria um produto que iria me deixar insegura para o resto da vida, sabe?! As complicações podem ser precoces, como o caso que está sendo amplamente divulgado, ou podem ser tardias, de difícil resolução.

 

Entre as complicações podemos citar: nódulos, massas, processos inflamatórios persistentes, infecções locais e disseminadas, com perigo para a estética, para a funcionalidade do tecido e para a vida do paciente, com casos mais graves de necroses, cegueiras, embolias e óbitos.

 

Ju, eu tenho PMMA, e agora? Vou poder fazer outros procedimentos estéticos? Em casos em que há aplicação prévia de PMMA, não é indicado fazer procedimentos invasivos no local onde fora aplicado o produto e na região próxima, isto por que, lembra que comentei que o corpo cria uma “capa” para proteger as microesferas sintéticas? Ao aplicar novos materiais, corremos o risco de perfurar esta capa, esta fibrose que engloba o produto, e ativar respostas do sistema imunológico, podendo gerar processos inflamatórios agudos, infecções, necessidade de remoção do polimetilmetacrilato, necrose dos tecidos… então, onde há PMMA, podemos tratar a pele superficialmente, fazer procedimentos não invasivos, mas não é indicado “fazer pic” no local.

 

Espero que com este texto tenha conseguido, de forma fácil, te ajudar a entender esse produto, seu efeito no organismo e o porquê eu não uso, não indico e inclusive fico triste quando vejo outros profissionais utilizando. Os preenchimentos com ácido hialurônico têm a parte não tão legal de não durarem para sempre na pele, porém, se tornam uma solução muito mais segura e com melhores resultados estéticos a curto, médio e longo prazo.

Júlia Schuch

Biomédica Esteta – CRBM-5: 5339
Publicado dia 07/02/2024
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